domingo, 19 de setembro de 2021

CineFantasy 2021 - parte 04

 

Cotações:
Excelente - *****

Ótimo - ****

Bom - ***

Regular - **

Ruim - *

 

10 - O Porão – direção: Choi Yang Hyun / Coréia do Sul – De longe é o meu filme favorito desta edição do CineFantasy. Entre os sucessos de Oldboy e Parasita, o cinema sul coreano vem crescendo com uma qualidade impressionante. 

Eu já falei do bonzinho 8 Suspeitos, mas este aqui atingiu meu coração e de muita gente que está acompanhando este festival.

 No filme um local da Coréia do Sul é atacado por uma bomba nuclear, e acompanhamos pai, mãe e filha adolescente tendo que viver improvisados dentro de um porão por pelo menos 2 semanas conforme as instruções do governo. 

O tom é bastante realista, aqui não temos um membro da família surtando e virando psicopata, nada disso, temos três membros de uma família passando por dificuldades reais dentro de um porão.

 A gente percebe as dificuldades quando analisamos que a família tenta improvisar, pois não estava preparada para a situação, seja dormirem usando bichos de pelúcia como travesseiros, economia de comida e água, sem energia elétrica, o tédio de ter poucas coisas para fazer além de alguns jogos que estão por ali e um rádio que às vezes custa pra funcionar ou um celular ainda funcionando buscando informações de outros familiares, sem contar o desespero dos vizinhos onde só ouvimos através das paredes. 

E o filme aumenta as dificuldades reais quando alguém do trio adoece ou quando um novo ataque faz prolongar de 2 para 4 semanas.

 É até curioso, quando depois de todas as dificuldades, o final têm eles improvisando com qualquer roupa para se protegerem de uma possível de radiação, numa das poucas cenas engraçadas do filme.

 Detalhe, todas as cenas ocorrem no mesmo local, o seja, a ação se passa inteiramente no porão. Estou torcendo muito para que este filme conquiste vários prêmios por onde passar e que consigo um distribuidor brasileiro para um lançamento nacional oficial.

Cotação: Excelente *****

Observação: o filme ter saído de mãos abanando no Festival me deixou muito chateado com o júri.

11 - Criaturas Ordinárias – direção: Thomas Marschall / Aústria – Road Movie onde um casal quarentão está viajando de carro num país estrangeiro, eles ficam de papo furado a viagem inteira, atropelam e matam sem querer um cachorro e seu dono vai persegui-los obsessivamente e, além disso, eles encontram uma garota hippie pra lá de doida, que a cena de topless foi o único motivo de ainda me deixar acordado, hahahahahaha. 

Eu não consegui conexão nenhuma com este filme, e ficava torcendo para que o caçador matasse de uma vez o mala do cara, mas isso ocorre lá no fim do filme para o meu sofrimento. 

Sim meti spoiler, pois creio que poucos verão este filme e, se assistirem, creio eu, que já vão esperar pelo óbvio quase durante a sessão toda. Eu não tinha gostado de Carro Rei, um filme que acho divisivo que até que está circulando bem por vários festivais, mas este aqui é disparado o filme que achei o mais fraco do Festival, e curioso é o longa-metragem mais curto. 

A sensação que tive é que os atores improvisaram a maioria dos diálogos e situações, não funcionando como resultado final e até se contradizendo constantemente por falta de um planejamento maior do roteiro. 

Ah.... E as cenas dos insetos achei uma sessão gratuita de tentar emular Terrence Malick sem sucesso nenhum.

Cotação: Ruim *

Observação atualizada: horas após fazer está crítica, este filme ganhou um inacreditável prêmio de roteiro, além de Carro Rei (filme com torcida) ganhar exagerados 4 prêmios, curiosamente os dois filmes que menos gostei do festival.

12 - A Harpa Maldita – direção: Hiki Pyotr Struchkov / Rússia – Professora chega numa aldeia para trabalhar como professora, ela conhece um fotógrafo que a convida para ir no museu de seu pai, lá ela é atraída a tocar uma harpa amaldiçoada, a partir daí coisas estranhas começam a acontecer, como o aparecimento de uma menina, supostamente filha de uma prima distante que faleceu recentemente. 

Particularmente os pontos altos são as interpretações tanto da professora (Yeva Kuzmenko) e da menina (Aelina Kolesova), ambas estreando no cinema. 

O filme tem aquele clima de mistério, com aquela tensão de que as coisas não são como deveriam ser, e aí temos o dono do museu para tentar explicar a situação para seu filho numa espécie de Professor Enredo. 

O diretor roteirista tem competência, e apesar do baixo orçamento, soube aproveitar muito bem para criar o clima proposto. 

Este é outro filme que gostaria de ter distribuição oficial no Brasil e estou ansioso pelo novo trabalho deste diretor.

Cotação: Ótimo ****

13 - Rendez-Vous – direção: Pablo Olmos Arrayales / México – Este filme é em preto e branco e utiliza do artifício do plano-sequência do início ao fim, e se teve montagem, é bem imperceptível para o público comum. 

No filme durante meia hora vemos dois jovens que se encontram, através das redes sociais, conversando, se conhecendo, até chegar na casa do rapaz e começar a tensão e ter um plot twist atrás do outro. 

A interpretação e a interação da dupla de protagonista é excepcional, aliás, se o filme levar a maioria dos prêmios do festival, direção ou ator, acharia merecido (Nota do autor pós premiação: o júri resolveu superestimar o brasileiro Carro Rei nessas categorias).

 Por ter vários plot twists é difícil falar demais deste filme sem entregar vários pontos da trama, embora a resolução é fantástica, mas o ponto negativo são as interpretações do trio de adolescentes, atores fraquinhos e um deles inclusive chega a olha para a câmera, além disso, o personagem do rapaz atender eles e perder o controle da situação foi um pouco forçado com o intuito da história tomar outros rumos, embora eu até tente interpretar que isso possa ser o despreparo do próprio personagem, mas sou eu justificando problemas no roteiro. 

Mas é o típico filme que vale ter a paciência de dar uma chance na primeira meia hora arrastada, pois o filme só melhora a partir daí.

Cotação: Ótimo ****


CineFantasy 2021 Parte 03

 

Cotações:
Excelente - *****

Ótimo - ****

Bom - ***

Regular - **

Ruim - *

 

 

07 - Cadáver Exquisito – direção: Lucía Vassallo/ Argentina – A personagem de Sofía Gala Castiglione (de Alanis) encontra sua namorada sem sinais vitais numa banheira. 

Com sua namorada em coma, a personagem de Sofía aos poucos descobre coisas sobre sua namorada que ela não sabia, e passa a ter uma obsessão doentia chegando a se transformar física e psicologicamente na sua própria namorada e experimentar coisas que ela não tinha conhecimento. 

A interpretação de Sofía é o ponto alto do filme, mas tive a sensação que o filme não passa de um Cine Privê com um pouco de conteúdo. 

O filme não toma a coragem de ficar mais pesado e ir mais longe, e algumas coisas ficam por demais abertas, sem explorar algumas camadas que o filme poderia ter ido mais além e não foi. 

Blanca Nieves Villalba que faz a namorada é albina e faz sua estreia nos cinemas, e tem potencial a prosseguir com a carreira.

Cotação: Regular **

08 - Jim Button e os 13 Selvagens – direção: Dennis Gansel / Alemanha – Baseado nos livros do escritor alemão Michael Ende, mais conhecido por A História sem Fim, que rendeu um clássico dos cinemas de 1984, e duas fracas continuações. 

Aqui no Brasil os livros são conhecidos com o nome Jim Botão e na Alemanha por Jim Knopf. Lembra demais a franquia Tintim. 

Este filme é uma continuação do filme Jim Button e Luke o Maquinista de 2018 que eu ainda não vi, com o mesmo diretor e elenco. O filme tem produção cara da Warner Bros da Alemanha, para o mercado principalmente da Bavaria, ou seja, Aústria, Suíça, enfim. 

Neste filme acompanhamos as aventuras de Jim Button, um adolescente negro e seu amigo Lucas, um homem com a cara do falecido Bud Spencer, eles precisam enfrentar um grupo de piratas que pretendem se vingar por causa de acontecimentos do filme anterior. 

É para um público pré-adolescente, as ameaças não são tão perigosas assim, do tipo que, têm vilões virando aliados sem grande desenvolvimento. A parte técnica do filme é muito boa, efeitos especiais e direção de arte são os destaques. 

É apenas um passatempo nada demais, típico da sessão da tarde.

Cotação: Bom ***

09 - Diás de Luz – direção: Enrique Pérez Him, Mauro Borges, Gloria Carrión, Enrique Medrano, Julio López e Sergio Ramirez / Panamá, Nicarágua, Costa Rica, Honduras, El Salvador, Guatemala – Se você está lendo essa quantidade de diretores e de países envolvidos e acha que é uma coletânea de curtas, bom, a resposta é sim e não. 

O filme tem um tema específico, durante 5 dias uma tempestade solar atinge a América Central deixando vários países sem energia elétrica, enquanto isso, acompanhamos um mosaico de pessoas comuns de vários países desta região enfrentando seus dramas pessoais, e sua estrutura me fez lembrar do filme Babel com Brad Pitt. 

O que cola todas as histórias é a ótima montagem tornando num único filme com vários personagens e as dificuldades que enfrentam por causa do fenômeno, chegando ao ápice quando surge uma estranha luz quando muitas dessas histórias estão tendo seus pontos de virada. 

Não vou comentar aqui qual é a melhor história ou a pior das seis histórias, todas elas tem sua importância e se passam ao mesmo tempo, além disso, o filme no início até informa qual história se passa em qual país, mas tirando um ou outro que decorei, a maioria nem lembro onde se passava e isso não tem importância nenhuma. 

Vou citar todas elas, tem a história do confuso pastor e sua picareta filha missionária que usam a situação de crise para arrancar dinheiro de fiéis, até que o pastor desiste de todo esse materialismo protestante, tem a história da menina que vai fazer uma festa de 15 anos somente para chamar atenção de um rapaz que gosta, e ele quer manter um namoro escondido por já ter namorada e ela desanima geral, tem a história mais simples do casal maduro na casa de campo onde o homem tem dificuldades em fazer sexo com a mulher, tem a história da empregada que quer ir pra casa ver o marido, mas encontra resistência de sua patroa meio autoritária que acabou de ser deixada pelo marido sem perceber e elas também encontram dificuldades em descer do prédio onde estão, pois ele possui muitos andares, tem a história do rapaz meio indígena que encontra uma moça que caiu de um avião e está ferida, o rapaz precisa ajudar a moça mesmo enfrentando algumas dificuldades, e a história da idosa frágil que está com seu neto pequeno fazendo promessa em alguma região distante e encontra dificuldades de chegar no hospital onde está sua filha que passou por uma cirurgia de risco. 

O filme se fecha justamente com o neto tentando ir sozinho no hospital e o final é de partir o coração sem diálogo nenhum.   

O filme representou Honduras no Oscar 2021.

Cotação: Ótimo ****